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O rugby feminino na região Nordeste completou recentemente cinco anos de vida. Ainda é um número pequeno mas que carrega consigo uma carga de trabalho e dedicação de muitas meninas e treinadores ao longo destes anos. Para falar um pouco sobre o esporte de um modo geral trazemos hoje o Educador IRB Marcelo Blanco, ou Chelo como é conhecido na comunidade rugbística, um dos responsáveis pelo Recife Rugby e grande colaborador pelo desenvolvimento do rugby na região.
Chelo: Não vou falar toda a história, não é que seja grande, mas para não aborrecer os leitores, porém acho importante sim falar do meu começo pois foi o que mudou minha vida.
Aos 8 anos Carlos Stefani, procurando recrutar meninos para o clube a que ele pertencia chamado de San Patricio (em Buenos Aires na Argentina), pede permissão a meu pai para levar meu irmão e eu para conhecermos o esporte. Foi uma boa decisão de meu pai aceitar. A partir de então joguei três anos nesse clube e depois passei para o Curupayti onde permaneci até vir para o Brasil.
Em San Patricio dei os primeiros passos para saber o que era o rugby, os amigos, a união entre nós e sempre sem esquecer que estávamos ali para nos divertir. No Curupayti comecei a ver e entender mais sobre rugby especificamente, sem deixar de lado o que já tinha aprendido. Minha sorte foi que nos dois clubes que joguei sempre tive grandes pessoas como treinadores que se dedicaram ao rugby com o coração sem medir esforços. No primeiro clube como exemplo foram os 3 anos com Julio Iúdice um advogado louco mas apaixonado pelo rugby, e no Curupayti tenho duas grandes pessoas também para destacar, Ronnie Walker e Gualberto Wheeler, que se encarregaram de nos aperfeiçoar até que chegamos ao plantel superior do clube, sonho de todo jogador de rugby argentino.
Rugby Mania - Como você conseguiu apoiar o rugby feminino no Nordeste mesmo sabendo que na Argentina não é um esporte comum entre meninas?
Chelo - Só por insistência das jogadoras. De outra forma não teria aceitado isso nunca.
RM - Como você vê o rugby hoje no Nordeste após ter realizado cursos de Coach, Educator e arbitro Nível II?
Chelo - Minha visão não vai depender dos cursos feitos, mas sim da realidade e estou vendo que o rugby nordestino está crescendo muito. Meu medo não é que ele cresça muito, mas sim que cresça demasiadamente rápido, não dando tempo principalmente aos jogadores de absorver a filosofia e os valores que fazem o rugby ser um esporte destacado.
RM - Quais são os fatos que mais marcaram sua vida dentro do rugby?
Chelo - O rugby para mim sempre esteve cheio de fatos que foram marcando minha vida, mas como devo responder a pergunta poderia mencionar injustamente só dois. O campeonato de M16 de Buenos Aires em 1989 onde ganhamos um título juvenil depois de 50 anos do último que tinha conseguido o clube. E o outro fato foi a gira que fizemos a Europa em 1992 onde depois de levar bastante surra dos times anfitriões de 6 cidades diferentes da Inglaterra, País de Gales, Escócia e França, conseguimos ganhar os 6 jogos. Até no jornal Clarín aparecemos!.
RM- Quais as diferenças marcantes que você vê no rugby praticado na Argentina para o rugby praticado no Brasil e no Nordeste?
Chelo - A meu modo de ver, e falando de desenvolvimento, a diferença marcante é a idade em que os jogadores começam a jogar e a regularidade com que eles praticam. Na Argentina se começa a jogar a partir dos 6 anos no melhor dos casos e nessa idade você pode transmitir muita coisa aos meninos e eles vão incorporando tudo, não só das coisas técnicas pois nessa idade nem é rugby que se joga, mas sim em questão comportamentos e de habilidades. Lá muita pouca gente começa jogar em idade adulta, enquanto aqui no Brasil e no Nordeste esse número é grande.
Acredito que tudo isso faz com que o rugby que se vê na Argentina seja mais rápido, mais dinâmico e que os jogadores joguem com veemência. Mas agente está trabalhando muito para chegar lá.
RM - O que é mais difícil, ser árbitro ou ser técnico?
Chelo - Ser árbitro.
RM - Como você se sente ao ver o rugby feminino no Nordeste prestes a completar 5 anos de existência?
Chelo - Entusiasmado.
RM - Qual recado deixaria para crianças, adolescentes, adultos e idosos para que se interessem pelo rugby?
Chelo - Para as crianças lhes diria que se querem brincar com algo bem divertido, uma bola engraçada onde poderão fazer muitos amigos, o rugby os espera.
Para os adolescentes e adultos diria que se animem a conhecer um esporte cheio de valores que os acolherá e se sentirá parte de uma família.
Aos idosos lês diria que ainda tem desafios pela frente e que o rugby pode ser um deles, e também que o neto lhe agradecerá eternamente por telo acompanhado aos treinos de rugby enquanto ele mesmo colabora com os educadores para o crescimento do esporte !
Construindo Valores
Vivemos reclamando aos jogadores. Pedimos, rogamos e ate demandamos que se comprometam que tenham “Compromisso” com o RUGBY, com seu clube e com os companheiros.
Mas o que com certeza, nós, os treinadores, educadores e os dirigentes não sabemos é que o compromisso não aparece de forma mágica. Não aparece no rugby de forma repentina, e sim que devemos gerá-lo com nosso exemplo, nossos gestos, mas fundamentalmente incorporando nos jogadores outro valor importante, que é quem lhes vai gerar o COMPROMISSO no rugby, com seu time e com a vida.
Trata-se de algo que vai ser criado como conseqüência de termos incorporado previamente em vocês outros valores que são em definitivos os que virão a adquirir - possivelmente para sempre- esse “COMPROMISSO” que hoje tem tanta falta. É tão simples como certo! Mas o COMPROMISSO nasce quando previamente conseguimos, graças ao Rugby ou não, que se façam AMIGOS.
Trata-se de fomentar a estima, o apreço, a fraternidade e a amizade entre todos os integrantes do time. O tempo que dedicamos dentro do rugby para conseguir que os jogadores sejam verdadeiros amigos, faz com que cada um deles seja mais importante um para o outro.
É a raiz de essa amizade e do que ela significa para os jogadores, que se adquirem os “laços” e vínculos que serão para toda a vida. Então é essa AMIZADE que finalmente os levará a estar juntos e a respeitar qualquer pauta que os treinadores, o time, e o grupo de amigos gerem em suas atividades. Esses vínculos gerados pelos próprios jogadores serão indestrutíveis e permitirá o nascimento do tão ansiado e demandado COMPROMISSO.
O rugby é o meio e não um fim em si mesmo. Um meio para educar, formar e para fazer melhores pessoas a todos àqueles que chegam para jogar nosso esporte. Temos que saber que não só devemos ensinar técnicas, destrezas, tácticas e estratégias, porque nenhum desses componentes servirá para os jogadores se não conseguirmos que entre eles sejam amigos.
Se conseguirmos que com qualquer outra atividade paralela, que não seja o próprio rugby, vocês sejam amigos, saberemos que teremos dado um grande passo para que possa nascer o COMPROMISSO.
Dificilmente alguém possa pensar em capacitação e aprendizado de um jogador de rugby sem que isso leve a pensar em UNIDADE DE JOGO, na entrega individual sem pedir nada em troca, na pessoa integra e das pequenas sociedades, em que o conjunto rende muito mais que a somatória das partes.
Após ter tratado, trabalhado e monitorado a amizade dos jogadores, não teremos duvidas, eles vão responder em seus atos e decisões coletivamente de acordo com o que vamos incorporando, e vão respeitar naturalmente este pacto ou COMPROMISSO que surge da amizade. É um trabalho feito pelos próprios jogadores, porque assim a construiriam e iriam respeitá-la, defender-la e manter-la.
Resumindo: trabalhar com a amizade, o companheirismo e o fomento da lealdade vão produzir uma mudança na atitude que hoje criticamos tanto nos jogadores. Lembrem e saibam que tudo o que nós incorporamos desde que nascemos através do AFETO jamais se esquece. E no Rugby sempre teremos a obrigação de devolver tanto quanto recebemos, sem duvidar de que o melhor que tem nos dado este esporte são as AMIZADES PARA TODA A VIDA !!!!








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